Saúde e Nutrição

Whole30: A minha experiência com o whole30

Whole30 é um programa criado por Melissa e Dallas Hartwig segundo o qual são necessários 30 dias para que você tenha um reset no seu metabolismo e na saúde, mudando de vez a sua relação com a comida.

Durante o programa você irá cortar todos os alimentos que podem efeito negativo na sua saúde, desequilíbrio hormonal, a desregulação do intestino além de todos os grupos alimentares considerados inflamatórios, por um período total de 30 dias.

Eliminando a ingestão de alimentos inflamatórios como grãos, refinados, processados, açúcares, álcool e latícínios pelo período prescrito é possível analisar como a alimentação afeta o seu corpo e quais alimentos  tem efeito negativo no seu metabolismo, afetando o seu dia-a-dia e a sua saúde a longo prazo.

Desta forma, por 30 dias você se compromete a eliminar de sua alimentação todos os alimentos potencialmente prejudiciais e comer apenas aqueles com densidade nutricional. Pode ser que você leve alguns dias ou semana para se adaptar, sentindo nesse período alguns desconfortos como dor de cabeça, cansaço, fadiga – isso é sinal que seu organismo está se desintoxicando.

No final dos 30 dias a promessa é de que você será outra pessoa, com muito mais energia e disposição e vai conseguir entender muito melhor como diferentes alimentos afetam o seu bem estar.  Depois dos 30 dias, sistematicamente, você irá introduzir os alimentos até então “proibidos” e analisar qual o efeito que aquele alimento específico tem no seu organismo, sendo possível você montar o seu próprio plano alimentar com base nos alimentos que te fazem bem. Se você quiser uma descrição mais minunciosa de como funciona (regras, lista de alimentos permitidos/proibidos, etc), deixa um comentário aqui em baixo, porque hoje eu vou contar como foi a minha experiência nos 30 dias.

Primeiro. Porque eu decidi fazer o Whole30?

Na realidade eu conheço o programa e já li o livro muitos há muito tempo. Eu sempre quis fazer e tentei começar algumas vezes antes, mas nunca de uma forma extremamente decidida e acabava desistindo. <E aqui já vai um conselho adiantado: comprometa-se desde o dia 1.>

Enfim que, como todos sabem, recentemente (tem menos de um ano, então é recente) nos mudamos para Toronto. Nossos bons hábitos alimentares, que até então estavam sendo saudáveis, deram uma decaída, principalmente pela falta de rotina e a nova vida. Senti que não estava tendo controle do que eu estava comendo (compulsão, a gente vê por aqui). E, consequentemente, estava me sentindo muito inchada, cansada, baixa energia e ganhando peso.

Aliado a isso, há alguns anos descobri certa intolerância a alguns alimentos, que me fazem inchar e travam a perda de peso. Queria, então, confirmar os alimentos que para mim não são aliados (sim, alimento tem que te nutrir e não te afetar negativamente).

Resumindo: Fiz para recuperar o controle dos meus hábitos alimentares, ver o impacto de certos alimentos no meu organismo, especialmente com a questão de inchaço e energia. Principalmente queria recuperar os hábitos saudáveis da alimentação que se perderam juntamente com a mudança. De quebra, achei que poderia perder alguns (dos muitos) quilos que ainda faltam.

Como foi o processo?

Eu escolhi fazer em janeiro, começamos logo no primeiro dia do ano, o que foi fácil porque não tínhamos nenhum “compromisso social”. Os primeiros dias foram mais complicados e eu logo percebi que planejamento é a palavra chave do negócio. Não pode comer nada que seja processado, então ter em mãos alimentos “permitidos” <não curto muito essa palavra, mas…> é fundamental.

Eu imaginei que seria muito mais difícil do que realmente foi. Considero que o fato de eu e meu marido estarmos fazendo junto ajudou muito. Sempre nos motivávamos mutuamente e os dois estavam sincronizados com a alimentação. Convenhamos, é muito difícil manter o foco quando a pessoa do lado está comendo outras coisas.

Confesso que o fato de gostar de cozinhar ajudou muito. Eu sempre variava na preparação dos alimentos. Incrementava sabores com novos temperos. Modificava o modo de preparo. O que deixou a experiência menos monótona e muito mais saborosa. Isso fez com que nunca me sentisse limitada ou em restrição. Com exceção no dia do meu aniversário, que saímos para comer fora e percebemos o quão é difícil e quase sem opção. Mas sobrevivi e escolhi uma opção que se enquadrava ao programa e num restaurante super legal aqui de Toronto! Fui de Wrap de couve!

Foi fácil todos os dias? Não! Não mesmo!!! Chegando mais ou menos no dia 10 eu senti muita vontade de comer doce. Muita mesmo. Mas não me deixei abater e sobrevivi. Depois do dia 13 o “desespero” pelo açúcar passou, sumiu.

Durante o processo o que o eu achei mais difícil (lá pelo final, última semana-10dias) foi me limitar a fazer os alimentos da maneira mais natural possível. Um dos preceitos do whole30 é que, mesmo sendo o alimento permitido, o ideal é não ficar inventando receitinhas, estilo panquecas, pãezinhos, pizza e etc. Isso porque esse tipo de alimento tem um efeito psicológico e pode desencadear a compulsão por querer comer só coisas que mascaram os alimentos de verdade.

Porque para mim isso foi um pouco difícil, porque chega uma hora que, especialmente no café da manhã, você quer uma opção diferente. Um waffle de batata doce com o ovo, por exemplo. A batata doce pode, o waffle (mesmo sendo apenas batata doce e ovo) não. Um pudim de chia, também não pode. E eu achei isso um pouco exagero <para mim, pessoalmente>. Eu não vou ter compulsão por pudim de chia, vocês concordam? Acabei fazendo algumas (poucas) receitas (um waffle e um mingau), bem esparsamente, o que eu não considerei como “jacada”, mas sim um estímulo para continuar.

O que eu comi?

Como eu mencionei, não foi difícil seguir o programa. Tentei manter a nossa alimentação o mais simples possível, com muitos vegetais e verduras, proteína e algumas frutas e nuts.

Não me limitei na quantidade nem nos carboidratos. Procuramos  otimizar na qualidade dos alimentos. Comia até a saciedade e sempre fiz as 3 refeições diárias – café, almoço e jantar – e, esparsamente, algum lanche intermediário quando a fome batia.  Tudo o que está nas fotos deste post. Essas são as fotos efetivas da nossa alimentação nos 30 dias durante o programa.

O meu resultado:

  1. Mudança na composição corporal: Infelizmente eu não tirei uma foto de antes e depois, acho que principalmente porque o meu foco não estava no emagrecimento <como de fato deve ser o programa>. Deveria, pois senti uma mudança enorme. Falando especificamente em peso, nem faço ideia de quantos quilos eu emagreci. Tem mais de 1 ano que não piso em uma balança. Peso reflete menos do que você imagina sobre a sua saúde!
  2. Menos inchada: Me senti leve e desinchada, como há muito tempo não me sentia. Consegui definitivamente ver como certos alimentos afetam muito o meu organismo.
  3. Mais energia: Passado os dias de adaptação eu notei u aumento enorme nos meus níveis de energia. Antes eu tinha a sensação de que estava carregando o mundo nas costas e me sentia me arrastando para fazer as coisas. E isso eu tenho plena convicção que é por conta de certos alimentos. Me senti menos ansiosa e muito mais focada.
  4. Senti que eu tenho controle sobre o que eu como. Compulsão não é brincadeira. Apesar de não me considerar a pessoa mais compulsiva do mundo eu tenho os meus lapsos e cedo a comidas que eu sei que não me fazem bem em momentos de ansiedade, frustração e tristeza. Fazer o programa me deu segurança para perceber que eu tenho sim controle sobre mim mesmo e minhas escolhas alimentares. E isso é libertador!

Minhas dicas (conselhos):

Primeiro e mais importante. Prepare-se. Leia o livro. Leia tudo o que você encontrar a respeito. Saiba o que é e como é o programa e entenda a ciência por trás de tudo isso. Entenda os alimentos que você poderá consumir e tenha claro o porque de não consumir os outros alimentos. Tenha o máximo de informação que você puder, isso inclusive te ajuda na motivação.

Comprometa-se. São apenas 30 dias de uma vida inteira. Tenha em mede os motivos reais pelos quais você quer fazer o programa. Não faça com o objetivo único e exclusivo de perder peso. Isso é consequência das suas escolhas diárias. E você pode sim emagrecer sem fazer whole30.  O programa vai muito além da perda de peso. Isso é para você e por você.

Se puder, tenha alguém para compartilhar a jornada com você. Ter suporte de outras pessoas, principalmente aquelas próximas a você ajuda muito. Inclusive na motivação mútua.

Planeje-se. Planeje e planeje. Escolha a melhor época para você, aquela que você vai se comprometer com o programa. E principalmente, planeje o seu cardápio semanal/diário. Ter em mãos alimentos que encaixam no programa salva nos momentos de fome e que você não tem muito tempo. Afinal, não dá para simplesmente contar com o que tem no mercado (leia-se: industrializados).

Vá para a cozinha. Envolva-se na preparação dos alimentos. Mude a forma de preparo. Abuse dos temperos para ter sempre variedade. O começo pode ser mais difícil mas você pega o jeito da coisa. Eu garanto. Não coma a mesma coisa todos os dias, você vai desistir antes do que imagina.

Mantenha simples. Não tente inventar muita coisa. Alimente-se da forma mais natural possível. É mais fácil.

Tenha um plano para o pós whole30. Planeje reintroduzir os alimentos e espere para notar os efeitos que eles tem no seu organizo. Tenha um plano de reintrodução. Por isso preparar-se é importante. O livro dá várias dicas de como reintroduzir os alimentos e como proceder.

As minhas conclusões.

 Tem açúcar em tudo que você quiser comprar no mercado. Mesmo tendo muitas opções aqui em Toronto, foi difícil achar produtos que não tinham açúcar. É assustador. Você passa a ler os rótulos dos alimentos (essencial no whole30) e descobre que aquele produto que você menos imagina tem açúcar.

Não poder fazer receitinhas (pãozinhos,waffle…) foi mais difícil que eu imaginava. Falo isso principalmente por conta das opções de café da manhã, que as vezes me parecia monótono demais e caia sempre no ovo. Mas percebi, também, por outro lado que dá sim para levar uma alimentação bem limpa.

Como o passar do tempo eu senti menos fome. E além disso me saciava com muito mais facilidade.

É muito difícil seguir o whole30 comendo fora. Me planejei para não sair durante o whole30, mas no dia do meu aniversário (dia14) eu não estava a fim de cozinhar. Resolvemos sair. Procuramos lugares que tinham opções whole30, naturais e sem conservantes, mas mesmo assim foi meio difícil fazer a escolha. Sempre tinha algo que poderia ter açúcar ou um conservante específico.

O processo de reintrodução de alimentos é super importante. Você consegue notar com muita facilidade os alimentos que não fazem bem para o seu organismo. Por mais saudável que aquele alimento seja (vitaminas, minenais e etc), pode ser que para o seu organismo ele não tenha os efeitos desejados. E cada indivíduo é diferente. Eu e meu marido reagimos de formas diferentes a diversos alimentos.

Vale muito a pena a experiência. Inclusive, eu estou considerando fazer um novo round (30 dias) em breve. E, com certeza, vou tentar fazer intervalos semanais. Ou seja, adotar os preceitos do whole30 em termos de alimentação em semanas eventuais.

Se você quiser uma descrição mais minunciosa de como funciona (regras, lista de alimentos permitidos/proibidos, etc), deixa um comentário aqui em baixo.

Se animou, que tal fazer o Whole30 ? Se fizer, me conta, vamos compartilhar experiências!!!

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kellybalbinot

View Comments

  • Hummm, eu com esse seu talento na cozinha seguiria esse programa pelo resto da vida.

  • Estou interessado e gostaria de receber maiores informações, e, parabéns pelos videos no Youtube estou aprendendo muito, muito obrigado!!!

    • Obrigada Edmundo.. Vou escrever mais posts a respeito. Continue acompanhando o blog.

  • Kelly, muito legal ler sua experiência que foi bem parecida com a minha.
    Em março eu e o meu marido fizemos a Whole. Como você disse, é muito bom ter alguém para te incentivar e te acompanhar nessa jornada.
    Hoje tenho convicção que antes do programa eu estava vivendo em uma compulsão alimentar. Não tinha controle sobre eu mesma, açúcar era um vício e a gula fazia parte do meu dia a dia.
    Com a Whole 30 redescobri minha reação com a comida. É brega, mas agora sou eu que a domino (comida).
    A consequência foram 4kg a menos na balança e uma vida mais leve em todos os sentidos.

    • Que bom receber o seu depoimento também! ë muito bom termos experiências positivas e conseguirmos melhorar a nossa vida e saúde, não é mesmo?
      Estou tentando fazer várias receitas mais saudáveis, e outrs nem tanto (rs rs - afinal a vida é feita de equilibrrio).
      Espero que goste do blog!

  • Parece ser muito interessante. Gostaria de saber mais detalhes, principalmente sobre os alimentos permitidos e proibidos. Abraços.

    • Vou escrever mais sobre o assunto no blog já que tantas pessoas ficaram interessadas. Continue acompnhando,

  • Conheci o seu blog agora e estou amando!!!
    Sigo a diete low carb e gostaria de ter mais informaçoes sobre o Whole30!

    • Leila, se inscreva no blog, logo mais vou postar mais dicas e receitas do whole30

  • Comecei há dois dias na low carb e já descobri seu blog, é muito bom!!! Também gostaria de saber mais sobre o whole30. Obrigada!

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